22 de novembro de 2010

Histórias para dormir - A ovelha Graça.

“Cuidado, não faça aliança com teu inimigo”


Em um vale de verde esplêndido, onde os lírios nascem em sua plenitude habita uma pequenina ovelha. Seu nome traduz favor, seu nome é Graça. Ela era a única do vale, a única de sua espécie, ela era preciosa. Branca como a neve era a sua suprema qualidade, era seu diferencial, e ao mesmo tempo era sua simplicidade. Sozinha. Sem abrigo. Sonhava em escalar e subir as altas montanhas do “Futuro vindouro”, pois ouvira nas histórias antigas do “vale da decisão”, que atrás das montanhas havia um aprisco, e neste imenso aprisco as ovelhas não corriam perigo, tinham boa alimentação e proteção do “Grande Pastor” de nome Aba*. Graça sonhava com esse dia. Graça tinha medo de se sujar. Graça não conhecia as dificuldades, por isso habitava entre os juncos de lírios, a beira do rio do descanso oportuno, ela tinha tudo para ficar acomodada, e assim o fez. Ela tinha um sonho como qualquer animal do vale da decisão, mas achava em seu coração dificultoso e fadonho lutar por eles.
Graça era muito vaidosa, e de fato era agradável aos olhos, o Velho Tempo com toda a sua sabedoria a chamava de resplendor, por que dizia ele, que quando via Graça caminhado por entre os lírios, era como um pedaço de algodão com luz, e o Velho Tempo amava o resplendor. E já tinha feito um pedido de casamento para a pequenina ovelha. Ele disse certa vez: -Casa-se comigo Graça, te farei imortal e habitarás no vale para sempre, porém a ovelhinha recusou o pedido do velho. E disse em voz alta: - Tu és velho demais para mim. Graça era acomodada, pensava apenas no tempo presente, como era ingênua sempre ia pedir conselhos a astuta serpente, de nome Altivez. A serpente queria devorar a Graça, mas a boba ovelha não percebia as artimanhas da víbora. Não
sabia que tudo o que a serpente queria era provar sua carne. Em um dia desces, a ovelha acordou como de costume e saiu para ruminar uma deliciosa porção de capim com orvalho, ela não sabia que seu dia seria marcado pelo coração astuto, porém mal da víbora. A serpente que não dormiu a noite, fez um buraco no solo macio, que caberia uma ovelha, a Graça. Seguindo seu caminho tranquilamente, Graça foi surpreendida pela emboscada bem arquitetada da serpente que já estava à espera da tonta. Ela caiu como planejado, pensou a astuta serpente, que não quis diálogo com a ovelha, sendo assim Graça foi devorada pela amiga-da-onça, na verdade Graça foi devorada pela sua tolice, fez aliança com o inimigo e não sabia. E junto com ela foram seu sonhos de escalar as montanhas e de conhecer O Pastor, de conhecer Aba.



ABA: em grego significa Pai*

Texto retirado com permissão do Livro - Crônicas Eternais - capítulo12 - pág 1.769
Ed. Fragmentos