18 de novembro de 2010

Esquecimento.

Tenho que confessar algo à respeito de mim, ou melhor um detalhe sobre minha personalidade que é particular e só minha. “Eu me esqueço muito rápido das coisas”.
Eu me apego muito aos pequenos detalhes, até aí normal, porém em determinados momentos eu me esqueço das faces, dos sorrisos, dos gestos que mexem com o coração, e deixam na mente a gravação de um longa metragem. Eu luto com toda força em mim para não esquecer, tento não esquecer. Já esqueci, é tarde demais.

Esqueço-me do velho, do desgastado.
Esqueço-me do grave, do inaudito, baseado na frese: “Esqueço para sobreviver em um mundo
desigual e desumano!”
Esqueço-me das ideias, das frases elaboradas de ultima hora.
Esqueço-me da fábula que contaram pra mim quando ela inocente, quando era gente.
Esqueço-me da rua, da avenida, da estrada estreita que me conduzia rumo a duas madeiras cruzadas, que fazia-me chorar em soluções imediatas, em respostas demoradas.
Esqueço-me do farrapo, da escrita simples, dos bilhetes que recebi de Manoela, quando o amor bateu em minha porta pela primeira vez. Era verão.
Esqueço-me da Sala de Porta Azul, aquela onde ouço os belos acordes de piano, Apenas meu Eu.
Esqueço-me do carente, do que dorme na rua em dias de inverno, do que sente fome, do que ronca a barriga.
Esqueço-me da trilha na floresta, das pisadas fortes entre as folhagens, naquele imenso jardim, onde você me visitava na viração do dia, tenho saudades.
Esqueço-me da tua voz, da tua canção, da tua respiração.
Esqueço-me do passageiro, do ultimo lugar, dos primeiros aplausos, quando conclui minha obra prima, quando soprastes em minhas narinas o teu alivio com aroma de vegetação nativa, de campos verdejantes.

Já é tarde demais... já esqueci.
Choro porque esqueço.