6 de novembro de 2010

Bloco de papel.

A página em branco não representa absolutamente nada.
O bloco de folhas em branco apenas traduz possibilidades.
Analisando essas oportunidades aparentes, minhas mãos não conseguem ficar quietas, elas querem desenhar.
Recordo-me então da tua face, da face genuína, da face que faz o coração sorrir de si mesmo, que faz a poeira das frustrações serem apenas vestígios do que já passou e que não volta mais.
A mão desenha...
Os rabiscos vão se completando, os traços ganham formas, as curvas se unindo. Paro. concluo. O olhar fica alucinado, porém satisfeito. Estou diante de  você agora. E você está na minha frente.
Não tem como te esquecer...
Não tem como te apagar, até meus rabiscos se findam em você.
Até minhas mãos quem você!
Devo está ficando louco... Não sei... preciso me saciar.
Eu posso até te desenhar, mas será apenas um desenho, um retrato irreal. Uma utopia. Uma fantasia, e nada mais.
Eu sou o bloco de folhas em branco!
Eu sou a possibilidade almejada!
Eu serei a alegria da tua alma!
Escrevas em mim pois sou papel, eu sou o céu.
Escrevas em mim pois sou réu, teu fel.
Escrevas em mim o roteiro certo de se decorar, de querer apenas teu cheiro ou ficar do outro lado do sofá.
Escrevas em teus risos de alegria, para que eu faça cócegas na tua tristeza.
Escrevas em mim a mão estendida, e certamente te mostrarei meus segredos mais íntimos.
Escrevas em mim o beijo certo, para que meus lábios se lembrem perpétuamente da tua boca quente.