21 de fevereiro de 2011

O diagnóstico do presente.

E diagnosticaram como uma leve mudança de comportamento, uma falta de estrelismo, falta mesmo de caráter, de compreender e ser censurado, tirando de nós o último prato de sopa que nos resta, pobre solidão.
Já que insistiram tanto pra que corrêssemos na São Silvestre do ironismo, para que nossas mentes tivesse ocupadas o bastante para não questionar a falta de comunicação com a parede.
__Mas paredes não ouvem? - dizia os lábios ressecados com o tempo, molhados pela bebida.
Então iludidos permanecíamos como cotonetes no ouvido, tentando acreditar no que não existia na realidade totalizada com medo do escuro.
Nossas vidas precisam de um cochilo apenas, uma valsa apenas, uma taça de vinho apenas, fora da geladeira, dentro do túnel do tempo. Rodopiando. O “aerosol” de veneno de barata, para tua falta de companheirismo.
Não merecemos o divino sono do repouso completo, merecemos apenas os cochilos das piscadas de olhos na noite serena e do luar fadigado, em uma rede, em uma casa de barro do nordeste, no ar seco, na paisagem amarela do sol que castiga nosso legado incomum, que implora por chuva para as pastagens do gado magrelo que transpira fome.
__Mas paredes não ouvem? -Dizia os dedos ossudos, que apontavam para a memória escorregadia do presente, da morte com a foice bem afiada tentando levar nossos bens, nossos filhos desnutridos, feridos.
E diagnosticaram como peste tudo o que não tinha como se curar, a falta de linha para costurar, o suco sem açúcar, o amargo na lcorre do ventre, da inexistente fraqueza adversária. Diagnostigaram que o capacete na cabeça é fundamental para a proteção de quedas futuras, de colapsos nervosos, de aplausos inesperados, de íngua.
Fizeram de tudo para que o vento não trouxesse nossos sonhos de um amanhã de chuva, de pássaros, de saúde nos ossos.
E diagnosticaram...
Diagnosticaram que a tatuagem no ser pode revelar sutilezas, fixar nas paredes do ser que carater não se modifica com desenhos, se modifica com atitudes com o peito cheio de ar, de ousadia.
E diagnosticaram a falta de folhagem nas árvores, a falta de conversa, a ausencia de ideias, o fluxo de sangue que se vai nos
olhares audaciosos.
Diagnosticaram pra mim quer dizer que tentaram explicar o porque de tudo, porém perceberam que a explicação é morada de cada um, e que cada um de nós tem suas próprias explicações, na realidade existente hoje, muita coisa não se explica, e sim se empurra com a barriga, deixando-se levar pela parede que não ouve, pelo prato de sopa comestível e pela paisagem amarela que castiga nossa sobrevivência.
E tentaram diagnosticar...