13 de janeiro de 2011

A via crúcis da alma!

A dor que deixa enfermo o corpo é dilacerante
O caminho aos meus olhos é eternizante
Em cada passo uma lembrança, um espinho na testa
E o sangue escorrendo – A tua vida que se vai – deixando meu corpo
Deixando sua marca
A minha cruz é pessadissíma, é fadolha demais, é música barulhenta
É areia na ampulheta
Na gaveta
No papel em branco.

As ruas do temperamento são estreitas, sempre esbarro minha cruz nas paredes
Você é as chicotadas no meu corpo, na alma
Você é a bagunça no meu coração confuso e angustiado
Preciso me sentar um pouco
Preciso de água
Eu chamo e ninguém me esculta
tenho que chegar ao fim na minha via dolorosa
Sangue, gota de vida que se vai
fragmentos dos meus relacionamentos frustados, rasgados sobre minha pele
sobre meu Eu!

Mesmo assim permaneço descalço, sem aplausos, eu continuo assim
o suor é excessivo
As lágrimas são salgadas demais, eu já chorei demais
A cruz é pesada, porém continuo, o coração continua, os açoites continuam
Não consigo voltar atrás, sou impulsionado à ir além
Existe uma força que deixa de pé
Se não, eu já teria caído, já teria morrido
“Oh! Corpo de dores, Oh! Corpo sofredor, Oh! Alma abatida
Continue pois o teu dia vai raiar!”

Estou no Gólgota da vida, dos pensamentos, da renúncia, do EU constante
O perturbador quer que eu desista, quer que eu pare, quer que eu perca os sentidos e largue minha cruz, minha missão, meus objetivos e ceda
Eu não posso parar, eu não posso deixar de amar
Tenho que chegar até o fim
Estou no monte da caveira, da tortuda, da agonia, do medo, do tudo ou nada
“Percebo então que já estou crucificado”
Contigo,
com a gente
com você
em você!