10 de janeiro de 2011

O cotidiano do ser



Meu voto nulo
Meu erro certeiro
Minha bala pedida
Minha intenção incensata
Meu escuro, nem tão escuro assim
Meu pedaço
Minha vontade
Meu pecado
Meu desejo marcado
Meu pijama
Minha cama
Meu descanço
Minha torneira, gota após gota
Meu cubo de gelo, no copo, na garganta
Meu fôlego
Meu bloqueio
Minha satisfação
Minha escada
Meu escoregão
Meu farol
Meu vale
Minha montanha alta
A facada na carne
A dor dilacerante
O remédio que arde
A ferida aberta
O coração o que pulsa
A fala mansa e suave
a risada bem presente
O beijo na memória
Minha intercessão
Prece
Minha oração
O afeto perfeito
a Interrogação?
A menina dos meus olhos
O banco da praça
A lágrima
A travessia do sentimento passageiro
Minha mala, sem rodinhas
Meu trabalho
Meu filho rebelde
Meu baú de pensamentos abstratos
Mão intocável
Pé descalço
O medo colocado na caixa dos sonhos esquecidos
O beco, a espera, o trauma
A solução
meu sono, minha cadeira de balanço
Meu livro, minha literatura
Minha varanda, doce Luana
Minha saudade
Meu amor sincero!