17 de janeiro de 2011

Papéis.

Hoje sou eu quem escrevo em minhas linhas tortas, e com a água da chuva lavo minha sujeira emocional, criando em mim o alicerce do recomeçar de novo com as mesmas roupas que usei nos meus momentos de triunfo, limpo o suor da cara e subo a escada da renuncia espontânea e me distraio.
Tenho quase tudo sob controle,só não tenho tua atenção, tua vida, teu ser, então não tenho nada.

Os meus papéis estão amarelados, há mofo em minha escrita. E tudo que sei é te amar, é escrever e te amar! 
Papéis são a soma de tudo já vivido antes, limpos ou não , serão alvos da escrita da vida, do temperamento tolo e metódico que aprisiona a alma em um cárcere explosivo e duradouro. Papéis são inrevogáveis. Papéis são indecifráveis. Uma pedra no sapato, uma queda de salto alto, um escorregão na escada da soberba. PAPÉIS NASCEM IMPERFEITOS. Eles possuem vários tamanhos, varias alturas, varias paixões. Os papéis são frágeis, acreditam em milagres, em preces, em respostas dos céus.
Costumo dizer que tudo na vida são pequenos grãos de areia, e nesse amontoado de grãos milhares de expectativas se vão, na roupa, nas ondas e a chance de te reencontrar cala minha voz, minha vontade, minha ação. Hoje quem apaga minha vivência é o medo de arriscar, é o medo se ser feliz, é o medo de tropeçar, e esperar por uma ajuda que nunca virá, por isso rasgo meus papéis, rasgo minha vida como se ela não valesse nada, absolutamente nada e recomeço tudo de novo, na mesma sala, na mesma mesa com meus papéis pelo chão, na imaginação, fora do coração.