26 de janeiro de 2011

Abismo.

E de lá pra cá caímos em abismos. É como se alguém cortasse com tesoura nosso desenho recém criado, tomar banho de chuva e permanecer molhado, e nessa rede de pensamentos é que escorregamos e o coração se rala todo, e o machucado que insiste em ficar - arde- sangra. Minha dúvida é? E o remédio? Quem irá tratar meus ferimentos?
Não tenho ninguém, sinceramente!
Pensei que eras minha ponte. No silêncio. No abismo.
Na verdade você se resumiu em nada. No choro. no poço.
A porta não abrirá novamente, o rio secará, o entusiasmo se evaporará. Com a angustia. Com o abraço.
Coloquei minhas cadeiras em cima da mesa para  ninguém sentar, ninguém se aproveitar da minha vulnerabilidade, da minha preguiça.
Piso e assino em baixo, corro e subo na árvore do bem e do mal. Não desligo o ventilador, ele leva consigo as folhas de papel de carta, as juras de amor eterno, e depois de muito girar, seca minha respiração, minha vida, minha roupa molhada.
Olhando bem... esse abismo é mesmo profundo, e nem sinal de uma ponte, de um escape. Tenho medo de olhar pra baixo. De cair. De me ralar todo. De pedir socorro. E ninguém suprir minha real necessidade. Eu não plantei sementes, eu plantei areia, e o pior é que eu sabia que areia não frutificava, porém insisti, e caí de bunda no chão limpo. A árvore que eu pensei que estivesse ali não estava. Nunca existiu!
levo comigo a experiência adquirida, a roupa lavada, a comida feita, o olhar observador e tento construir uma ponte sobre o abismo. Uma ponte de lágrimas e despedidas.