24 de abril de 2011

Servir-lhe-ei de fôlego ao vento. E no encantamento dos gestos os dedos apontam para uma direção, uma rua, uma intenção. Sabe-se lá se é um caminho distinto, ou correto. Apesar dos ponteiros marcarem 10h não ouso pisar fora da calçada, da linha de chegada.

No seu falar exalava um aroma sonoro esculpido nas claves de sol de uma antiga e perpetua melodia da vegetação do sul, onde o grito nasceu. E por vezes seus sussurros eram o remédio para muita gente, para muitos corações, para o meu.

Ela sempre canta ao meu ouvido, e só eu posso escutá-la - Foi-me dado esse dom. Ela canta em tons de valentia e suprema eficacia e isso me angustia por dentro, por não ter a solução, por não usufruir palavras de vocabulário culto. Deixo cai em meu peito cada frase da canção, cada palavra mesmo.

E começo a refletir em meu presente, cavo em meu interior o entusiasmo necessário, bebo copos de água, refresco-me por inteiro. Ela sempre canta na hora certa. Não sei quem ela é, apenas foi me dado o dom de ouvi-la ao pé do ouvido.