3 de setembro de 2010

Ruínas



"Sons de tímpanos e tambores de guerra!

Todos os inimigos vencidos. Ruínas passadas, espada em punho, o cenário perfeito.

Minha mente, o inconsciente. O valente destruído, o manto do triunfo pertence a mim..."

 

 

 

        Grande batalha travou no meu interior ultimamente, o campo de batalha ainda tem marcas de sangue deixadas no ar, no solo, no inconsciente. Minha mente anda a mil por hora, nunca pensei que fosse presenciar acontecimentos tão grandiosos e nobres em meu ser. A partícula da minha existência moveu-se de lugar, o interessante tomou-se guardião, assumiu a cena, o episódio, trazendo satisfatoriamente o possível, o alegre, o amanhecer! As pessoas notam minha mudança, na verdade sou mutável ao extremo, pois corro rumo à mudança, ao novo, ao que faz bater velozmente o coração.

        Minha armadura está amassada, minha espada desgastada, nem preciso falar do meu escudo, ele me salvou dos ataques repentinos, das sutilezas do oposto, do externo que é atraente, do consumo ligeiro, das falsas portas da Felicidade, da esperança fracassada, da fé sem obras! Tudo foi vencido, conquistado, despojado, destruído ao extremo e neutralizando, o que era ameaça já não existe mais, tornou-se lenda os valentes que riam de minha face, tornaram-se pó, diante do hoje, diante de mim.

      Há ruínas em minha mente, o que era um barulho e rajada de "Grito de Guerra", resume-se em silêncio, som que resta sobre os despojos, que encontra ressonância nos tambores, nos tímpanos, nas faces derrotadas. Agora sou apenas eu. O hoje. O guerreiro. O habitável. Sento-me um pouco para ganhar coragem pra ir além, pois a primeira parte foi aniquilada, relatarei tudo nos pergaminhos da eternidade, em cujo poder está no Artesão que existe pelos Séculos dos Séculos! Dele virá minha vitalidade, Ele se levantará sem demora, para revigorar minhas forças e renovar minha esperança. Com certeza Ele virá!

      Bebo um pouco de água, lavo o rosto, penso em tudo que presenciei. À coragem ganha vida, desperta. Uma voz me impulsiona para caminhar, retomar a estrada, pois meu descanso não será aqui. Mesmo com a armadura totalmente destruída, continuo a andar sozinho, em paz, confiante, amando o que chegou hoje, sem reservas, sem ruínas, não ligo para o cenário, pois aprendi que um grão de poeira vale mais do que um mundo inteiro, e as águas e ribeiros que tenho que passar em minha mente, não voltarão, será simplesmente águas passadas! A batalha me ensinou que vencer na vida é uma opção, e que o Artesão dos Céus me ama tanto, que nunca me deixará. Ruínas são provas de acontecimentos já presenciado e vivido, que passaram e estão perdidos nos acontecimentos do ontem!