3 de agosto de 2010

A vela - meu Eu.


Em cima da mesa, descansa uma simples vela. Magrela ela espera sua chama incessante, mesmo pequena possui em si mesma poder de aprisionar as trevas ao redor, iluminado a mão que escreve, que insiste em escrever coisas da vida, da existência passageira que pune a alma arrojada, calibrada pelo ânimo acelerado. Causando um tremor no vale da sobrevivência.



Descubro então, que meu interior é a vela, a vela acesa, que derrete aos poucos, pela dor, pela raiva, pela indiferença. Sou a vela que rompe com a escuridão. A vela sincera. Pequena vela fina. Simples. Vela branca sem malícia, sem razão em determinados momentos para permanecer acesa.


-Como posso permanecer com minha luz acesa, se o sopro dos lábios anseia em apagá-la?


-Apagar quem?


-A humilde chama incandescente é amiga?


A chama que iluminou muita coisa, hoje já não existe, apagada pela força do sopro e muitas vezes pela frieza da porta aberta. A vela que um dia ficou acesa, espera ansiosamente pelo amanhecer, que ilumina a mesa, que traz a alegria e o sorriso na face. Quem sabe, a mão continua a escrever novamente sua trajetória. Quem sabe, ela conclui a frase, o instante da vida, a vela.