11 de agosto de 2010

Um som - A porta Azul - Eu danço.




Ao som do piano meu coração acelera, Ao som da melodia meus pés se movimentam, ao som dos acordes, eu danço...





Danço como nunca dancei antes, é como se eu estivesse livre dos olhares, das aflições, dos falsos elogios. Observo dentro de mim que o salão é extenso, dá pra mim passar a noite toda em movimento, pois a melodia que irradia é realmente incrível, nunca ouvida antes. Caio em si e vejo que estou dentro do meu ser, naquele lugar que só nós conhecemos. Nitidamente a luz encontra seu alvo, fui direcionado há um lugar dentro de mim, vi setas me guiando até o final do corredor das emoções, logo após desci a escada da renuncia, na primeira porta a esquerda de cor Azul está meu esconderijo, notei que de lá que vinham as notas musicais que faziam meus pés se movimentarem. Queria sair daquele lugar, mas não podia, havia um propósito em tudo aquilo, naquele acontecimento. Meus pés não me obedeciam, lutavam contra mim, estavam tomados pela força da canção inaudita que vinha da porta de cor azul, da alma.
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Paro enfrente a simples porta, minhas mãos vão em direção a massa neta, abro-a, ouvi atentamente que era o som de acordes de piano, que por sinal eram belos, eu nunca tira ouvido acordes tão belos e tão preciosos, me levavam rumo a sensação de pureza total. À medida em que eu caminhava, em direção ao centro da sala onde estava um piano de cauda com detalhes em ouro, meu coração pulsava, a emoção tomou conta, não conseguia me conter, e voltava a dançar... Livremente dançar. Notas limpas e reluzentes enchiam o ambiente.

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De repente ouve uma pausa, meus pés pararam, a dança foi extinta por minutos. Vi que atrás do piano havia um ser, um velhinho, de cabelos e barbas brancas. Era Ele quem tocava dignamente o piano, com o controle de minhas pernas, eu caminhei para perto do Ancião. Havia um partitura. Não sabia se olhava para a partitura ou para o semblante amável do velhinho, que sorria pra mim de forma angelical, a calma transcendia dele e dominava meu interior, meu próprio ser. Por um instante olhei para a partitura, notas musicas estavam coloridas com tinta dourada, uma preciosidade, não me foi revelado quem foi o compositor da bela obra, só sei que, de forma honrosa foi escrita. Estava anestesiado. Voltei os meu olhos para o velhinho cheio de vigor, e de estrutura nobre, notei que ele estava vestindo com um terno de Linho Fino, de branco branquíssimo, sem costura. Sem me dar satisfação voltou a tocar. Meus pés continuaram a dançar a canção, no ritmo da Liberdade. Dessa vez ele tocava sem parar, toques delicados faziam com que minha alma esquecesse o mundo lá fora. Deixando - me liberto de minhas mazelas interiores e mágoas do passado, o perdão pairava sobre nós, e eu dançava... Dançava...
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Eu dancei, alegremente dancei a valsa da aurora. Quando fui ver, me perdi em mim mesmo, em minha lembranças, em meus anseios, nos meus romances já vividos. Percebi então que nada se comparava a melodia incessante que tocava o Ancião de barba branca e de sorriso sublime. Ao som da canção, eu perdi o controle, cai no chão, o som do piano mudou de tonalidade, os dedos corriam em cima das teclas de forma veloz. O choro tomou conta de minha face, de meus pequenos olhos, gota após gota caía sobre o chão duro do meu interior, naquele exato momento eu era a criança, o inocente ser pequeno que estava experimentando o livre arbítrio, meu interior reconheceu na hora, meu choro, minha perdas. Ao som das notas veloz eu estava sendo redimido, estava sendo mudado por completo. Então novamente chorei... Como um desgraçado, me arrependi, ali não existia mais o meu querer, o meu Eu estava submisso a vontade da melodia nobre, o ritmo purificava meu interior, neutralizava minha trevas, meu rumores de guerras. Não existia horas, nem mudança de tempo, tudo ocorreu no espaço entre a divisão da alma e do espírito.
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Levantei do chão aliviado, quando percebi, não existia mais lágrimas em meu olhar, pois o Ansião tinha enxugado dos meu olhos todas as lágrimas. Sorri. Caí em um sono profundo. Quando acordei, já não existia a sala de porta azul, o som do piano havia se silenciado, meus pés imóveis já não dançavam mais, os acordes já extintos pelo som turbulento da vida, das circunstâncias. Estava no mundo real, no meu quarto, paralisado em minha cadeira de rodas... Quem sabe um dia volto a dançar sobre a planície da Eternidade, ao som do Piano eu dance novamente...