23 de outubro de 2010

O último beijo!

O rosto acaba de desgrudar do travesseiro, da noite mal dormida, das lágrimas da partida.
O corpo que vem do barro está cansado, e pensativo afirma que a melhor escolha foi ter se desligado do coração sob o qual ele amava muito, e tão seguro se apoiou em frases já vividas e terminantemente exploradas pelo argumento de amar sem medidas.
A mente apenas rastreia vestígios do gosto deixado na boca, da imagem raizada na divisão da alma, no lugar que só a gente sabe onde encontrar tesouros significativos que nos deixam realizados.
O monitoramento da mente continua, não se omite, não vacila, não perde o foco, a visão!
E lembra-se do beijo passageiro, ou melhor do ultimo beijo, sem gosto, sem prazer, sem vontade, e admite que era melhor não ter acontecido nada entre os dois lábios.
O último beijo não explica nada.
Beijo sem ação, sem entrega, beijo sem sabor!
Beijo com veneno, sem antídoto, sem cura.
Beijo da víbora, do trauma, da negação, da sincronização falha, do olhar obscuro do medo, do pavor!
O ultimo beijo deveria ser amaldiçoado, maldito, por que nunca mais teremos de volta, nunca mais os lábios se encontrarão novamente.
A despedida é fatal, sem sombra de dúvidas, mortal o bastante para caminhar rumo à morte.
Por isso eu digo...
Aproveite o beijo presente, o beijo sem mágoa.
Aproveite o calor intenso do beijo apaixonado, que reflete entrega, que absorve o prazer do querer e do realizar,
beije mesmo!
Com carinho, com exatidão, com vontade.
Ame o beijo sem vergonha, o beijo camarada, o beijo companheiro, o beijo rápido, o beijo sem ar.
Sabe de uma coisa, continuarei tentando encontrar o beijo certo. E fugirei do último beijo.
E quem sabe as ondas me levem rumo ao beijo do amor sincero!