29 de julho de 2011

Morena Áurea...

Fala-me, sei que tua boca pede para chamar meu nome, meu apelido, aquele que insistia em chamar-me incessantemente.
Enquanto o mundo dormia, eu ouvia tua respiração sobre meu peito, você estava segura em meus braços, em meu afeto, em meu lençol.

Fala-me... devagar, l-e-n-t-a-m-e-n-t-e as tuas vontades, esse teu instinto de liberdade era o que me fazia sonhar, e por alguns instantes eu estava, eu acreditava plenamente... não existia algemas.

Fala-me, com sabor, som suor, com sussurro, os teus principais desejos. Essa sede que tinhas, sufocava-me por dentro, era um anestesia em mim, na minha crença, nos meus votos santíssimos.

Fala-me, e não imputes de minha face a tua imagem de pérola negra, cativas de imediato minhas raízes. Tu és ribeiro morena áurea.

Dirija-me, e saberei andar em tuas curvas, e em tua praia serei a tua maré alta, a brisa sincera, a gota do frescor na água da tua boca.

Morena Áurea, a solidão prevista.

Imagem: flickr.com