6 de julho de 2011

Crônicas Eternais | Maria Eduarda...


Ouvir-se-lhes-ia o pulsar de uma revolta aparente, de um aprendizado nostálgico – era o amor!


Caminhando com a lata d’água na cabeça uma sombra a retrai, de longe se avista Maria Eduarda – nome de mulher famosa e de boa fama. Já cansada de andar num sol de queimar, senta-se um pouco para descansar da presa inconsciente da uma vida miserável do sertão, da caatinga nordestina.
Copiosamente estremecia sua queixa, e olhava pro céu sem nuvens e fadigava Deus com seus lamentos, por tão cruel castigo, ela então preferia a morte.
Já tinha implorado, deixado de lado e bem baixinho cochichado as suas decisões. Uma de suas armadilhas era a incansável e latente expressão de si mesma, e sem causa ganha entre ela e Deus o sentimento prevaleceu. Preferiu molhar-se com a água que carregava na lata. Enquanto a água refrescava sua face sofrida, o coração de Maria Eduarda se agitou, pois lembrara que ainda amava, ainda sussurrava em seus ouvidos o sonho de casamento, e por um momento o vestido de renda era bordado em sua mente. E ali mesmo onde estava esquecera por um instante da sua realidade de magricela nordestina.
Levantou-se com uma energia tal e cheia de vaidade agitou seus cabelos negros, agarrou a lata d’água e seguiu seu caminho, sua obsessão.
Maria Eduarda não tinha boa fama, era menina nova, porém já sabia amar, já sabia as conseqüências de um toque, de um beijo no pescoço, e de uma mão na cintura. Era menina esquentada, dava trabalho para sua mãe – mãe nordestina.
Era de se admirar os olhos, e de bater forte o coração, menina dos cabelos escuros, fios de pura má intenção, o masculino sofria ao seu lado.
Casara aos 17 anos com um jagunço, por sua mãe ser solteira não dava ouvidos ao que dizia, e seguia enfrente com o relacionamento prematuro que carregara, e mal sabia ela que seria a sua desgraça.