26 de setembro de 2011

Voltar para as flores

Por : Carla Reichert

Me visto dos vestidos de flores
espadrilles e pulseiras prateadas.

Anéis que brilham
colares de vidro.

Brincos como Nefertite
me cerco de modices.

Passo como rastro e me encaixo
no lugar de origem.

Blush só para corar
pele dourada e macia ao luar.

Água fria da montanha faz bem,
já sinto até saudades daquele "meu bem".

Tive medo do passeio na cachoeira,
no meio do mato me senti bem.

Quem sabe moro lá um dia,
como a boba que nem sabe que já foi hippie.

Calça jeans rasgada não me diz muita coisa,
talvez que não seja "tapada".

Pego minha bolsa de pano e meu chinelo havaiano...
Compro velas cheiro de canela.

Enfeito a sala, com cortinas transparentes,
uma cadeira no canto, dessas de balanço.

Abro bem a janela e deixo entrar o cheiro da primavera.
Até os tempos mudaram, o inverno não quer deixar o planeta.

O que nos espera no amanhã, só nos resta nem pensar.
Só desejar acordar.

Pego as crianças pela mão, passeio de bicicleta no domingão,
ainda prefiro do que ver um tal de faustão...

Ah canais que me matam, o mundo não deveria ter tv.
Deveriamos assistir a vida, a natureza, plantar, colher e sorrir.

Seres emburrados jazem sentados em seus sofás...
esperando passar um tempo...que eles pensam aproveitar.

Mal sabem que aproveitam-se deles, de sua atenção
e a mania de injetar em suas veias a felicidades...

Acho que hoje ela vem em comprimidos,
mas metade da humanidade, já se dá conta disso.

Estamos querendo amar, voltar para um lugar onde crianças,
brincavam e sorriam rolando pela grama...

Hoje ela sorriem em frente a uma tela de computador,
conversando com quem nem sabem.

Queria ter um botão,
um botão para retornar...

O mundo tão grande que pertencemos
e ficamos tão fechados nos mesmo lugar...

Na busca, em busca...de que mesmo será?