23 de setembro de 2011

Balada dos garotos afogados.


Algumas vezes eles se afogam sim, e é incrível como jamais conseguem voltar. O beijo sufocante da morte os leva, as pálpebras cerradas, e a dor continua restante. Muita dor. Isto é injusto, deveria ser acordado, anteriormente ao trato, que quando não mais vivessem a dor deveria cessar, proporcionalmente aos batimentos. Seria o mesmo acordo da rosa em botão que leva consigo o perfume.

Mas estes garotos continuam flutuantes - o coração de suas mães transborda e seus pais perdem o prumo. A dor continuará; é nauseante, é nauseante. Afogaram-se, mágoa, dor. Como os garotos sofreram, como! Tudo continua escuro, como um barco na ressaca, sem rumo em uma noite escura. Isto é errado. Os garotos deveriam descansar.

Ainda não se sabe muito bem e nem nunca se saberá; são esperanças eternas, cortadas na raiz, de maneira silenciosa...

Não há som, não há ar, nem há luz. Não existirá o amanhã, apenas a balada dos garotos afogados, flutuantes...

Deus os salve.

God save them.