17 de junho de 2013

O menino e o desencontro.























Tenho orgulho do mesmo, do sou e do eu. Do menino e suas apaixonantes aventuras, do jeito inocente que se olhavam, e da maneira como o coração pulsava, corria das veias do menino a vontade necessária para o abraço imaculado de seres que precisavam ser o que deveriam ser, que deveriam repartir um com o outro.  Tudo se torna belo ao lado menino, as águas festejam com sua chegada, os ventos aplaudem quando ele sorri, e se descobre que o menino sou eu mesmo, ou pode ser o outro.
Tenho orgulho do mistério que ele é pra mim, do assobio das palavras tremulas e sem pontuação. Desconfio de mim, pois os segredos de emolduram na garganta do menino, congestionam e se precipitam dentro do meu peito, e venero o recostar do menino, aquele calor gerado do querer, leio na poesia e nas canções que o menino é meu. Engavetado, percorro com entusiasmo a frenética maneira de demostrar em tua afeição a procura de desfazer as frases que escrevi, programar nossas idas e vindas sem o relógio nos denunciar, encontro por vezes o menino sentado esperando a doação do outro, e nesse desencontro carbonizo a acidez da fala sem conteúdo, e gesticulo milhares de vezes, pois preciso da atenção de mim mesmo. O menino se torna existencial em mim.