9 de outubro de 2010

As folhas estão caindo, uma à uma. O tempo passa né!
As feridas se catrizam, e o que ficam são marcas. Eu não quero marcas em mim.
Os ferrolhos se destrancam, a porta se abre. É necessário passar para o outro lado.
agulhadas ajudam o tecido rasgado a se juntar novamente, porém é notório que já houve som de corte em suas fibras.
Caminho, paro, penso... Muita coisa é Ilusão!

8 de outubro de 2010

Tudo o que se ama é doloroso.
                                              Tudo que se acredita pode tornar-se real.
                       Tudo que se planeja pode conter fragmentos do futuro.
Pego o que não quero, logo me arrependo
Corro e me canso logo em seguida
subo e caio de uma altura significante
Alimento-me, sinto fome dilacerante
Procuro, devo ter perdido
Admiro, o coração acelera
 Reclamo, aprendo com os erros
Sonho, realizo à longo prazo
Digo, falo incessantemente
Escondo, perdi o vontade de encontrar
Escuro, meu quarto é esconderijo
Amo, estou à procura
Acredito, um passo ao aceitável
medito, caio em si, tudo vira um carrossel.

6 de outubro de 2010

Eu e Jerry - Uma história para dormir.

Depois de um longo período de inverno e trevas, eu consigo ouvir uma nova canção, uma melodia de flautas e acordes limpos que trás consolo ao coração desamparado. Ouço no ar sons de vozes, uma divisão perfeita de naipes, Jerry avistou um ser semelhante à luz pura, viu que de cada passo que ele dava saiam notas musicais. Não tivemos medo. Eu permaneci intacto no meu lugar. Quando o ser de luz se aproximou de mim, sem sombra de dúvidas vi que era um Rei, havia bondade em seu olhar, suas mãos transmitiam a calmaria dos mares, havia amor em seu sorriso.



O Império daquele Rei era magnífico e quem olhasse para a magnitude da grandeza dos portais, tinha a plena certeza que seu Reino jamais chegaria ao fim. Eu não estava sozinho, Jerry estava ao meu lado, não pronunciou nenhuma palavra si quer, apenas olhava e olhava, admirava os lírios no caminho rumo aos portais. A sensação de medo não existia, Eu e Jerry estávamos ansiosos para ver o que habitava atrás dos portais que mais há frente iríamos encontrar.


Depois de um período de andança, o Rei ia à frente e em seguida nós. O Rei de vestes de Linho fino parou e olhou para trás, olhou para nós, Eu e Jerry não sabíamos o que iria acontecer, o Rei então estendeu sua mão direita em nossa direção, ficamos surpreso com tal atitude real. Eu e Jerry respondemos imediatamente ao pedido do Rei, sem questioná-lo. Ele sorriu, de seu lábios saíram um frase:


-Meus Pequenos amigos!


-Por que Majestade? Perguntou Jerry entusiasmado.


-Vocês são duas crianças especiais – logo respondeu o Rei que se vestia de Linho fino e Luz.


Especiais, pois vocês não conheceram ainda a maldade, nem a aflição do coração, por isso terão que morar no palácio das Aventuranças – continuou o ilustre Rei.


Mas Jerry se lembrara de casa e de tia Marta que estava muito enferma, havia três dias.


Não podemos ficar, Majestade! - exclamou o pequeno ser.


Nossa tia Marta está muito doente – respondeu seu irmão mais alto – eles continuaram dizendo:


-É por isso que estamos aqui, tia Marta nos disse que o Sr. Cura qualquer doença e trás alegria ao coração triste.


Por favor Rei, cure nossa tia, ela é nossa mãe agora – com lágrimas nos olhos disseram os dois.


Aquele gesto incomodou e apertou o coração imortal do Nobre, o gesto simples de Eu e Jerry havia tocado o íntimo do Rei.


Por um momento o tempo parou, a brisa cessou, as notas musicais não soavam mais como antes. O Rei chorou! Pingos reluzentes molhavam a face do monarca. As crianças não entendia por que tal Rei chorava de soluçar, tiraram o bolso um lenço que tia Marta havia bordado com carinho e ofereceu ao imortal, naquele exato momento o simples tocou o puro, o real.


O Rei enxugando suas próprias lágrimas com o lenço ofertado e vendo que as crianças eram mais que especiais, mexeu em um dos bolsos do seu vestido e surpreendeu as crianças com um pequeno frasco de cristal, e contido no pequeno frasco um bálsamo suave.


-Pegue pequeno, e leve à sua tia Marta, vocês não precisam permanecer mais aqui, em minha presença, devem ir para casa – disse o Rei com o coração quebrantado e humilde.


O sorriso tomou conta da face dos pequenos Eu e Jerry, que de gratidão deram um grande abraço no Rei que se veste de Linho fino e que habita no Reino de Luz perpétua.


Eu e Jerry foram para casa, deram o bálsamo à tia Marta, que se recuperou de forma milagrosa, a alegria voltou à casa dos pequenos e o Rei nunca esqueceu das crianças que o fizeram chorar, no Reino de aventuranças essa história e contada até os dias de hoje...










Eu e Jerry.

1 de outubro de 2010

Necessidades... - O menino e o sorvete.


“A fome e o abandono estão empreguinados na face carente do ser desamparado, que faz do seu abrigo seguro as sarjetas e calçadas da Rua Barão de Itapetininga no centro de São Paulo.”



O pequeno ser está com medo - Lhes dão xingamento.
O pequeno ser está com fome - lhes dão chute.
O pequeno ser está com sede - Lhes dão água com desprezo.
O pequeno ser está sem abrigo – lhes dão o jornal de ontem pra que se cubra.

Saindo de um estabelecimento um rapaz com um sorvete na mão está distraído. A voz desprezada de um menino o segue entre a multidão. A voz esquecida lhe pede ajuda por três vezes.
- Tio se sobrar um pouco do sorvete deixa pra mim...
O rapaz estava com fone no ouvido e não escutou direito o que o menino dizia. Mesmo assim o ser desamparado desprovido de comida e abrigo insistiu. O menino vestido pelo sujo queria que sua necessidade fosse suprida, mas alguns passos e a voz tremula continuou a sussurrar:
-tio dá um pouco de sorvete...
O rapaz logo percebeu que estava sendo seguido pela voz do desprotegido, pela voz do órfão que só conheceu a mãe Rua para se proteger. O rapaz que acabara de comprar o sorvete e só tinha levado à boca apenas duas colheres, deu ao menino todo o seu precioso sorvete, que agradecido voltou ao cenário de agonia e medo perdido entre a multidão de corações de pedras.


Pra si pensar:
Será que alguém viu o gesto do rapaz?
Será que em meio à multidão do centro de São Paulo, alguém viu ou sentiu a fome do pequeno ser?
Quem poderá recompensar os dois?

A resposta terá se olharmos para o alto, para os céus. É de lá que vem a recompensa dos justos e de quem ouve a voz do necessitado.