19 de junho de 2013

Sopro acalentador.




















E sobre o cochilar de tuas pálpebras o meu sopro acalentador anestesiava tua afeição infantil e desprotegida. E imaculado que era, peguei-te pelo colo, a intenção que me vinha à mente eram as mais nostálgicas possíveis – tudo aquilo era real. 



O desfragmentar do gosto.



























Em cada gole um protesto interior. No primeiro e segundo a língua ferve, no oitavo e no nono o gosto se desfragmenta, o interior se apaga. A lembrança da memória se torna atônita por não saber em qual região tinha se perdido por completo o sono inquestionável do cansaço predileto, mas por vezes inquieto por desvalorizar o que já viveu. É água, é céu, é terra. Tudo junto e misturado como se não houvesse uma cicatrização para barrar os sangramentos do que está indo camuflado, e ligeiramente escondido nas páginas do prefácio cansativo e molhado pela saliva do sino e dos ventos entregue de bandeja ao pacato sem vida e desértico.


Ventos azuis.




























No decorrer da entrega as mãos quentes e suadas interpretam bem o querer, elas sabem discernir as intensões mais provocativas da intensão que visualiza as práticas, e aderem a suas formas e tamanhos preservados. Algumas das quais eu não tenho princípios de interromper, ou se quer de renunciá-las, de certo modo tenho tudo gravado nas paredes de minha ignorância adormecida, e escandalizada pelas que foram jogadas pela furiosa presença dos ventos azuis, que reinavam sobre minha temperança acovarda. 


17 de junho de 2013

O menino e o desencontro.























Tenho orgulho do mesmo, do sou e do eu. Do menino e suas apaixonantes aventuras, do jeito inocente que se olhavam, e da maneira como o coração pulsava, corria das veias do menino a vontade necessária para o abraço imaculado de seres que precisavam ser o que deveriam ser, que deveriam repartir um com o outro.  Tudo se torna belo ao lado menino, as águas festejam com sua chegada, os ventos aplaudem quando ele sorri, e se descobre que o menino sou eu mesmo, ou pode ser o outro.
Tenho orgulho do mistério que ele é pra mim, do assobio das palavras tremulas e sem pontuação. Desconfio de mim, pois os segredos de emolduram na garganta do menino, congestionam e se precipitam dentro do meu peito, e venero o recostar do menino, aquele calor gerado do querer, leio na poesia e nas canções que o menino é meu. Engavetado, percorro com entusiasmo a frenética maneira de demostrar em tua afeição a procura de desfazer as frases que escrevi, programar nossas idas e vindas sem o relógio nos denunciar, encontro por vezes o menino sentado esperando a doação do outro, e nesse desencontro carbonizo a acidez da fala sem conteúdo, e gesticulo milhares de vezes, pois preciso da atenção de mim mesmo. O menino se torna existencial em mim.



15 de junho de 2013

Opus #01
























Tão distante o bastante, vulnerável de dá uma pena extinta que instiga os arrepios da pele, e os rastros do suor da testa ainda agitada, nocauteavam minha espera irregular e fantasiada de privilégios temporários. As palavras não circulavam de seus verbos, e do parafrasear não se tinha o bastante para a compreensão satisfatória, e de certa forma corroída pela ansiedade peculiar de um ajudante sem o recebimento de seu salário. 

Opus #15




















Espere um pouco, espere velozmente! A única chance que tinha era a importância que se dava a ele mesmo, um egoísmo gélido e ignorante que predominava em suas veias, uma pele sem vida, apodrida e fervida, atos inodoros sem uma liberdade de amanhecer em nossos dias, em nossos sonhos triunfais que se perdiam nos naufrágios dos pensamentos.

14 de junho de 2013