26 de abril de 2012

22






22 de cima pra baixo, e de lado não tem conversa. Dia do Santo Rafael, dia que eu mesmo rotulei sem Beatificação, pois pra ser Santo não precisa de permissão, precisa apenas querer, e assim o fiz sem restrição.
Dia de dupla tarefa, de se esconder sem regra, de se entregar sem reserva, um acolhimento de dois números, distintos, porém iguais.
Vida dividida em duas, uma no raiar da trombeta, já a outra do esconderijo provisório.
O realismo de tudo isso é manifestado em gente de ânimo dobre, animo salgado.
Um dois que precisa de outro dois para se completar uma dualidade percebida de longe, um massagear de ironizarão que não vejo como alguém consegue se corroer tanto.
 Ele/ Ela são uma mudança de cores, que vai do vermelho e preto, como variar de cinza para branco, tudo depende de como o dia nasce, de como as pessoas reagem, de como o cordialíssimo do alheio é absorvido pelo autocontrole de alguém que está cansado demais para não notar que está sendo vítima de uma rotina que sufoca, que seca os rios pessoais que desaguam por dentro de mim, que enfraquece e não dá mantimento.
O 22 é o vermelho dos lábios dela, é o preto do terno dele, pode ser a cor cinza do temperamento dos dois, o branco que os distancia ou o que não se percebe, o que se fratura com a queda de ambos.
Desfaço-me em um ressecamento único, porém mortal, acabo-me.
Sem o outro dois o vinte e dois não é nada, será apenas um número qualquer, mas pelo que notei mesmo sendo apenas um dois, é necessário ter mais um número para formar um dois, então o dois que eu preciso está amarrado dentro dos dois, sufocado, apertado em circunstâncias incomuns de uma condição que não lhe dão nem se quer uma admiração por ser um dois na homogeneidade do 22, e sempre que há uma difusão de pensamentos entre os dois, a minha ardência se divide, enfarpelando  o que costumo dizer, o que eu não disse ou o que irei dizer em um futuro que não clareia os pés do meu presente assustador, porém dissoluto.
O número da raça, do contentamento abreviado, da moradia de todos, do pai que não vê o filho há anos, do sagrado que não chegou a ser revelado, do ar, do apego, do atrito, da manifestação o 1 sem o zero que procurava, do surgimento do golpe que mortifica a ideia, do rápido demais que não se dá conta do bem estar do próximo, do enveredado caminho que duas almas se cruzam, de 2+2 que será um 4 futuramente.  

24 de abril de 2012

já sei...


...Aí percebo que sou a preciosa forma de enxugar as lágrimas, e que sou a porta de saída de muita gente, sou um salvador temporário. 

16 de março de 2012

Em um sorriso...




Como em um disco perdido do tempo, empoeirado pela ignorância de uma sonoridade perdida e acostumada a querer sempre o novo, desprezaste o enredo do cotidiano, digo o sabor da vivência. Deixou de lado o bem querer, as cantigas de roda, o ilustre repetido em festejo. Uma pena.
Peço a ti que nunca esqueça seu sorriso sagrado, nunca o guarde em gavetas, nunca o escondas. O divino foi derramado em teus lábios, e não me divorcio disto jamais, está santificado pelo alto, pelo invisível, e esses critérios tu o reconheces muito bem.
Nunca o afogues em baldes de tristezas, nunca o deixes pendurado em murro predestinado a desabar. Jamais pendure em varal. Jamais o enterre!

9 de março de 2012


Foto: Google

Sua tatuagem dizia muito sobre ele, sobre uma mutação em relação ao mundo a sua volta que não parava de girar, já que tinha argumentos, e eles valiam como flechas rumo ao corpo em movimento, o jeito era tomar esse copo de d'água no deserto, e sem nada a dizer além de dores, em marcas, na figura do braço, na tatuagem do ser, o dizer, o acompanhamento da satisfação, um socorro.

27 de fevereiro de 2012

Discurso em xadrex


Foto: Flickr.com/gustavocarpi

...Nitidamente ele não possuía a opinião que todos deveriam ouvir, porém, na ponta de sua língua lhe saia uma verdade massacrada, uma violência anônima, e assim por diante.   Mesmo sabendo que deveria ouvir toda aquela verdade, o seus ouvidos se guardavam em um involucro de timidez, e nem se quer se pronunciavam. Os dedos artríticos do personagem central corriam em sua máquina de escrever, deveria está tudo registrado, a pressa do relógio o sacudia por dentro, a organização das frases e o ritmo dos dígitos alinhados ao excessivo mal-humorado fato de se estar preso a uma rotina de sentenciar destinos, o havia deixado sem palavras, de ouvidos mirrados.  O comum predestinado de seus olhos sobre a folha datilografada o deixara em um complexo de amnésia permanente, e sem fluxo de riso em seu rosto, sua mascara era notória. O senso comum o fazia suar a camisa xadrez, e de tom pálido suas mãos enfraqueciam de forma visceral todo seu entusiasmo. Haveria algum salvamento satisfatório? E ao mesmo tempo esse chamamento o conduzia ao que era de aparência verdadeira. O que se datilografava não expressava, e nem se quer justificava os machucados nas pontas dos dedos de quem contava as folhas de papel canson envelhecido apergaminhado pela saliva sem aderência, o comum era seu tempo. O personagem central não conseguia conduzir o enredo, e as pautas não esclarecia a conduta infame que outrora não machucavam os dedos, isto é, nada respaldava nada, infelizmente.  Aqueles que observavam de longe, e ao mesmo tempo sacudiam suas orelhas para ouvir, encaixavam fatos sem cola, sem concreto, e já sabemos que casa construída na areia, não fica em pé, dito popular bíblico eficaz. O corpo massacrado pelo povo tem mais uma vez seu discurso rasgado e suas memórias rabiscadas com caneta estourada pela covardia de não enfrentar, de não colocar a cara pra bater, de não receber um cuspi na face, e nem oferecer ela como sacrifício. A esses o meu grito é por justiça a favor do datilografo que dizia a verdade, e repudio contra os ouvidos felinos que tramam conspirações irrevogáveis. Grito por um futuro audacioso com promessa de fartura e pão para o inocente. Afogo em vinho a viúva sem acolhimento, quem sabe ela, a embriagada, não se recordará dos seus sonhos fracassados, quem sabe ela não venha corrigir sua própria história esquecida, quem sabe ela adormeça pra sempre, em seu canto lúdico abrasador não nos preencha o vazio que preguinha nossa mente abstrata. Não podemos fugir do personagem central de camisa xadrez sem vida, amarrotada pela consciência, juiz que agora é réu. A anotação não envergonha ao que disse na mesa, e o gesticular de braços não apazigua os temperamentos. Um dia poderemos notar uma libertação de mente, de conduta. Certamente recolheremos as correntes, juntamente com os cadeados, talvez essa seja a verdade que esperamos ouvir, quem sabe eu me liberte de vez. 

25 de fevereiro de 2012

"Acho que foi muito assim", talvez devesse agradecer, talvez não. Cansei-me de arquiteturas já faz mais de algum tempo, e ainda que goste de observar os livros dos arquitetos, seus olhos já não me cativam mais.


por: Dan Novachi

Acabado...



O que acabou torna-se ponto final, uma fatia visceral, um capítulo findado - Em estado de luto a nossa vontade esperneia, não há balbucios, o absolutamente se torna rei, o que proferia amor eterno, hoje se veste de opróbrio. 
Entre o coração partido e o desprendimento do afeto.