28 de fevereiro de 2017

Terminal sépia

Intriga-me o término das “coisas”, a evolução dos processos e a correria dos pés.
O distanciamento das embarcações, as milhões de ondulações das águas, esse estilo de movimento que acontece escondido nos instantes, no salpicar dos gestos, na aderência dos abraços.
A rapidez do término é assustadora... não eleva em consideração o tempo dedicado, suga as escolhas com força, canudo na boca da desesperança.
O movimento que se iniciou em uma das mãos se finda na outra, o pôr do sol alaranjado é apenas o traço de vários quereres, de vários desejos, de várias expectativas.
No terminal há uma pausa fúnebre e tênue, a presença dos numerais são os brincos que referenciam a memória que se esquece dos pontos que se iniciam e se partem, o murmúrio das vozes que conversam, sem cessar, no final é coagulante, visceral.

A saudade pertence ao terminal sépia, o terminal tipográfico curvado na lousa dos ensinamentos...