20 de julho de 2012

A abstinência de tuas cores



















É de se admirar a substância que coagula em tuas veias, e embora se torne um emaranhado de superstições, eu conjugo teus verbos no futuro do pretérito do indicativo, para não criar uma falsa esperança do melhor que poderá não amanhecer em dias nublados e sem a síntese do despertar. Já passou do vital o meu procurar pela tua ressonância nobre que prendeu meu entusiasmo selvagem, descubro que com o passar dos vendavais me torno mais flexível com a tua paciência e isso dificulta e muito o meu comportamento pela tua fuga que antes me deixara perplexo, e ao mesmo tempo sem um travesseiro para dormir. E o que mais me mantinha satisfeito não poder entender de fato o que passara em tua cabeça quando me perdeu em águas tranquilas, quando me perdeu em tuas cartas longínquas, em tuas cores vibrantes e aquosas. Sou culpado, réu de julgamentos de tua consciência pagã, mas sabias tu que minha alma era errante e andarilha de gerações, antigo como passado já vivido. Admiro-te. Sabes me castigar muito bem, andorinha minha, liberdade nossa. Sabes me manter em cadeias por ti, sabes que ando descalço e que feri meus pés por te procurar entre os espinhos, entre os cacos que antes dera valor absurdo e vocacionado de uma frágil e contabilizada infame crueldade. Meus murros não sobreviveram sem tuas cores, minha primogênita.